O Brasil ordena a Caixa que detenha empréstimos a J & F

O governo brasileiro ordenou que a credor estatal Caixa Econômica Federal deixasse de financiar uma família de bilionários que acusou o presidente Michel Temer de trabalhar para obstruir uma pesquisa de corrupção, disseram pessoas familiarizadas com a decisão na terça-feira .

De acordo com duas pessoas, a administração da Temer ordenou à administração da Caixa que não refinanciasse as linhas de crédito existentes para a J & F Investimentos SA, holding controlada pela família Batista brasileira. Os membros da família Batista ofereceram prova aos promotores no mês passado que Temer alegadamente trabalhou para obstruir uma grande pesquisa de corrupção.

Uma das fontes não identificadas, que é um alto funcionário do governo de Temer, disse sob a condição de anonimato que pedir que a Caixa deixasse de fazer negócios com a J & F estava em retaliação por acusações que Joesley Batista, um membro da família e, em seguida, presidente da J & F, contra a Temer.

SUBORNO DE TESTEMUNHA

Joesley Batista gravou secretamente uma conversa em que Temer parecia tolerar subornar uma testemunha potencial. A J & F controla a JBS SA, o número 1 do mundo, e várias empresas nas indústrias da moda, produtos lácteos, celulose e bancária. A Caixa é o maior credor da J & F com empréstimos pendentes no valor de 9,7 bilhões de reais (US $ 3 bilhões), disse uma terceira pessoa.

Suborno no Brasil

A Caixa cancelou o capital extra para reclassificar alguns dos empréstimos para a J & F, depois de considerá-los mais arriscados do que antes, disse a mesma pessoa. O aprovisionamento adicional ocorreu depois que a Caixa afirmou o controle de garantias não especificadas apresentadas pela J & F para um empréstimo de financiamento de fusão que demorou há dois anos, acrescentou a pessoa.

A situação ressalta a maneira discricionária na qual os credores estaduais são administrados no Brasil e como os mutuários estão expostos a retaliação se cairem fora da graça com o governo. A Caixa foi usada como uma ferramenta política pela predecessora de Temer, Dilma Rousseff, provocando grandes perdas por empréstimos devido a empréstimos imprudentes e decisões de tomada de risco.

A Caixa disse que fez provisões adicionais relacionadas à J & F, mas não explicou os motivos do movimento. A J & F não quis comentar. O escritório de Temer disse em uma declaração por e-mail à Reuters que “os bancos estaduais tomam ações baseadas exclusivamente em critérios técnicos”, observando que “decisões baseadas em outros critérios que não contam com a autorização do escritório do presidente”.

MOVIMENTO SORPRENDENTE

No centro da decisão de restringir os negócios da Caixa com a J & F, é um empréstimo de 2,7 bilhões de reais que a família Batista levou no final de 2015 para comprar uma participação de controle na empresa de marcas de moda Alpargatas SA (ALPA4.SA), disseram as pessoas.

Perder a Caixa como um credor chave significa que os Batistas terão que recorrer a outros credores ou vender ativos para levantar dinheiro por um longo calendário de reembolso no próximo ano. Uma das pessoas disse que as empresas controladas pela J & F, excluindo a JBS, possuem cerca de 14 bilhões de reais de vencimento nos próximos 12 meses.

Suborno no Brasil

Analistas incluindo a Natalia Corfield, da JPMorgan Securities, disseram que a recente turbulência política e econômica no Brasil corre o risco de diminuir os esforços da Caixa para reduzir os padrões e provisões. O movimento surpreendente da Caixa também desencadeou sinais de alerta entre outros bancos que também são credores da J & F, disse uma das pessoas. Ao conquistar o controle de mais garantias, a Caixa antecipou outros credores e tem menor chance de assumir perdas de crédito se a J & F for padronizada, a mesma pessoa acrescentou.

Em uma declaração, a J & F disse que “mantém relacionamentos de longo prazo com instituições financeiras”, evitando comentar ainda mais. J & F, que representa as iniciais dos pais José e Flora da Joesley, concordou em pagar uma multa real de 10,3 bilhões de reais para se envolver em crimes de suborno, enxertos e outros crimes.

O acordo de argumento de Joesley Batista enviou ondas de choque nos estabelecimentos políticos e comerciais do Brasil e corre o risco de acelerar a expulsão de Temer do cargo, disseram analistas. A maior parte da multa J & F pagará, ou o equivalente a 8 bilhões de reais, será dividida entre o banco de desenvolvimento brasileiro BNDES, um banco de indenização estatal conhecido como FGTS e dois fundos de pensão para funcionários de empresas controladas pelo estado.

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A Reuters informou no dia 22 de maio que o BNDES decidiu não estender novos empréstimos à JBS (JBSS3.SA) ou à J & F Investimentos até que assinassem um acordo de clemência com procuradores federais. Os fundos de pensão e os bancos estaduais investiram ou concediam empréstimos às empresas da J & F em contrapartida de subornos pagos pelos irmãos Batista, de acordo com o testemunho do argumento.

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